Cada vez desconfio mais de guias e listas para bem comer. Primeiro, porque parece ter-se estabelecido uma competição cujo título será atribuído a quem apresentar mais nomes na lista. Porém, nesse caso, há uma lista imbatível, e que torna inúteis todos os esforços, que é a lista telefónica ou a sua versão em págimas amarelas. Depois, porque a publicação de cada lista atrai
a lugares eventualmente estimáveis uma chusma de «novos ricos» da mesa, de gente sem lista nem gosto próprio - políticos parolos, empresários labrostes, gestores pacóvios, jornalistas convencidos, etc. - que aparece para se exibir em tudo o que está in. E meus amigos, a questão da frequência é para mim essencial para a avaliação de um bom restaurante.
Vou dar um exemplo. Aqui há dias, lembrando-me de um post que lera no Ponto Come, caí na asneira de jantar no Painel de Alcântara. Risquei-o da minha lista. Primeiro: acrescentaram o número de mesas, diminuindo o espaço vital de cada jantante, e tive que jantar com três vendedores de automóveis a tiracolo que disseram piadas boçais durante todo o repasto. Segundo: a lista está irreconhecível. O Painel, de tão apregoado, cedeu à procura de uma nova clientela, lá levada por muitas e boas recomendações, e agora tem na lista uma dúzia de bifes e dois ou três pratos alternativos.
Quanto à exaustiva lista da Veja, já a folheei, aproveitando para renovar, actualizar e retocar a minha própria lista. Mas também tem disparates que fervem. E omissões inadmissíveis. A seu tempo identificarei uns e outras. O melhor da lista são mesmo as sugestões do David Lopes Ramos. Esse não se engana nem engana.
21.6.06
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4 comentários:
Caro "Companhia da Indias"
Não posso estar mais de acordo com tudo o que atrás expôs. Realmente há cada vez mais lugares que vivem dos frequentadores, que dão um status muito "in" ou "fashion", independentemente de se sentarem à mesa e pedirem um "bife muito bem passado". São os falsos "entendidos" da comida como aliás de tudo o mais que nos rodeia. São os pretensos donos do saber de... coisissima nenhuma. Mas enfim quem lucra são os propietários destes novos espaços com conceitos muito dúbios quanto ao que é saber comer bem...
Quanto à "Veja" tem realmente assinalados como referências gastronómicas locais que senão a evitar, pelo menos a pensar bem antes de lá voltar. Sem dúvida e acima de quaisquer suspeitas se encontram os poisos referenciados pelo David Lopes Ramos.
Por último uma boa novidade: dá-se pelo nome de " Salsa e Coentros" 218410990, ali para os lados da av. Brasil, chefiado por uma dupla dissidente da famigerada "Charcuteria" versus "Ourivesaria" de Campo de Ourique e Bairro Alto, que faz jus à casa mãe no que às iguarias diz respeito e a preços sensatos. Vale bem uma visita.
O caro por vezes não quer dizer boa cozinha , ou bom ambiente.E em Lisboa encontro um restaurante que tem tudo de bom a cozinha , o ambiente , a carta de vinhos e muitas outras coisas que nos faz bem ao ego e á barriga.Chama-se "Stop do Bairro" e fica em campo de ourique .prefiro mesmo a sexta-feira que tem um arroz de cabidela sensacional e com a ajuda do Sr.João ainda melhor ficamos.
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