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9.5.15

Imperial de Campo de Ourique


Olhando de fora, nem sequer é muito óbvio de que se trata de um restaurante. Entra-se e, à direita, tem um daqueles balcões longos e altos que são a imagem de marca de estabelecimentos similares. Por detrás dele está a cozinha. Dessa sala de entrada, onde também se pode abancar (foi ali que o fizémos, aliás) passa-se a outra, nas traseiras, onde a amesendação da "Imperial de Campo de Ourique" tem o seu lugar nobre. Mas tudo é muito simples: mesas e cadeiras metálicas, individuais e guardanapos de papel.

O senhor João, minhoto de Ponte da Barca, recebe-nos com a generosa qualidade de quem é do norte: caloroso, envolvente, agradado por poder agradar, preocupado por não poder acolher-nos na sala principal. Eu e quem me acompanhava não íamos muito preocupados com o poiso. Íamos diretos à chanfana que, na 6ª feira, é o prato de resistência, a imagem de marca da casa, a par, noutros dias e em tempos adequados, da lampreia, que o senhor João arranja "lá em cima", de qualidade e que, consta, é muito recomendável. 

A lista, nesse dia, não se esgotava, porém, na chanfana "à casa". Por ali havia uma feijoada à transmontana que espero em breve testar e um bacalhau assado com batata a murro que me levou os olhos, numa travessa que passou. E outras coisas, como dourada ou carapaus grelhados, o bacalhau à Brás, as clássicas iscas de porco e outros grelhados usuais na restauração lisboeta. Noutros dias há coisas diferentes, como salmão, pataniscas e outros pratos Ah! e, claro, a dose, em nenhum caso, excede os 10 euros, pelo que, nem com esforço!, a fatura final passará além dos 15 euros.

Começou-se com uns bolos de bacalhau, com textura certa. O vinho escolhido foi o da casa, de "um primo da Ermelinda de Freitas", segundo o senhor João nos informou. Era amplamente "buvable", como se viu na repetição das canecas a que as três horas de conversa obrigaram. Não experimentei a aguardente de terras da Barca que o senhor João trouxe para a mesa (limitação de quem tinha de dar uma aula nessa tarde!), mas não resisti ao arroz doce (um pouco líquido de mais para o meu gosto) com que se fechou o repasto. Também o apetecível bolo de bolacha e o pudim (muito gabado por quem o provou) ficaram para outras visitas. 

Há dias, publiquei por aqui um despretensioso "guia" da oferta gastronómica em Campo de Ourique. Hoje, de baraço ao pescoço, qual Egas Moniz, devo reconhecer o erro de não ter incluído esta "Imperial de Campo de Ourique" (que me trouxe à memória a sua saudosa homónima do Campo Pequeno, cujo encerramento nunca lamentarei suficientemente). A retificação devida vai ser feita.

"Imperial de Campo de Ourique"
Rua Correia Teles, 67
Tlf. 21 388 60 96
Fechado aos domingos. 
Nem sempre abre ao jantar, o que, no entanto, faz sempre que haja reservas atempadas      

2 comentários:

  1. 4 (quatro) euros: sopa/pão/prato peixe ou carne,jarro vinho, café.

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  2. comida da pesada, boa para os meses de inverno, portanto.
    na calçada do combro, perto do calhariz, há um restarurante regional semelhante, ambiente e ementa

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