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27.5.16

Restaurante Galito (Lisboa)




Alentejo sem atravessar o Tejo

A cozinha alentejana tem, nos dias de hoje, vários poisos em Lisboa, alguns com muito boa qualidade. Dentre as cozinhas regionais portuguesas, é seguramente a que está mais bem representada na capital. O “Galito”, ali à entrada de Carnide, é, creio, o mais antigo restaurante alentejano de Lisboa. Salvo erro, aliás, o único que mantém uma carta com 100% de culinária do Alentejo. 
O espaço que o “Galito” hoje ocupa é o terceiro que lhe conheço. É mais moderno e confortável do que os dois anteriores. Porém, devo dizer que tenho alguma saudade da primeira casa: uma sala minúscula, onde era dificílimo conseguir mesa e onde conheci a cozinheira originária, a Dona Gertrudes que, muito provavelmente, foi a maior figura de sempre da culinária alentejana por terras de Lisboa. A Dona Gertrudes já não oficia há muito pela cozinha do “Galito”, mas sempre que olho o sorriso amável com que o filho, o Henrique Galito, me recebe naquela casa, que visito há décadas, sinto a certeza de que o testemunho segue em boas mãos.
O grande “drama” dos restaurantes alentejanos é que a transição entre as entradas e os pratos às vezes é difícil de estabelecer, tal é a abundâncias das primeiras, que nos começam a chegar à mesa logo que nos sentamos. As favinhas, a perdiz de escabeche, a salada de coelho, as empadas, os torresmos, os míscaros, o queijo fresco e tutti quanti fazem uma refeição, se nos distrairmos, com o belo pão alentejano a ajudar.
Resolvemos evitar os “clássicos”: açorda de coentros, pezinhos de porco de coentrada, migas de espargos ou à alentejana, com entrecosto ou lombo de porco frito, ou o ensopado de borrego.
Depois de uma boa dose de entradas, fomos para uma açorda de perdiz, por sugestão do Henrique. Não nos arrependemos. Uns carapauzinhos com arroz de coentros e uma costeletas de borrego compuseram a escolha, tudo num registo muito agradável.
A lista do “Galito” é bastante farta, mas a minha experiência nas casas tipicamente alentejanas aponta para que nos deixemos “conduzir” pelas sugestões da casa. Desde que tenhamos razões para nelas confiar, como é o caso.
Naturalmente, a carta de sobremesas segue a oferta magnífica que a doçaria do Alentejo sempre nos traz. Foi-se por uma sericaia, com a ameixa tradicional, e uma encharcada. Mas também por lá se pode encontrar o bolo rançoso, o pão de rala e outras doçarias do Sul. A única “traição” em favor do Norte é o pudim Abade de Priscos, em que o “Galito” pede meças.
A carta de vinhos é bastante completa, cuidando o Henrique em não se limitar aos alentejanos, embora eu lhe peça sempre sugestões de produções dessa região. Notei continuar a haver por ali excelentes vinhos do Douro.
Uma nota final. Para além da eterna simpatia e educação do Henrique, das últimas vezes que passei pelo “Galito” ficou-me uma impressão menos agradável do serviço às mesas: demasiado “à vontade” e displicente, com excessiva conversa e “bocas” em voz alta. E não fui a única pessoa a notar isto, diga-se.
De todo o modo, como desde o primeiro dia, e já lá vão muitos anos, voltarei ao “Galito” sempre com imenso prazer.

Restaurante Galito
Rua Adelaide Cabete 7B
Carnide, Lisboa

Tel. 217 111 088
Reserva recomendada
Fumadores
Preço médio: 25 euros

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