.


21.11.16

Recado às escolas de hotelaria


Não será possível ensinar ao pessoal que sai das escolas hoteleiras portuguesas, para benefício dos profissionais que delas saem para hotéis e restaurantes, três coisas muito simples, mas essenciais para a prestação de um serviço de restauração educado, amável e respeitador?

A primeira é que nunca, mas NUNCA, se trata o cliente por "você". É uma indelicadeza, uma falta de consideração e, no meu caso, representa um ponto muito negativo na decisão futura de regressar a uma restaurante.

A segunda, que também muito se vê por aí, é o gesto de passar as coisas à frente dos clientes, sejam os pratos, seja a colocação de talheres. Salvo se tal for de todo impossível, por dificuldades absolutas de espaço - situação em que o empregado deve pedir licença para esse gesto excecional - não é admissível que o braço do empregado se atravesse à frente do cliente. Neste caso, raramente me coíbo de fazer uma observação, o que, por vezes, acaba por ter um efeito negativo no fluir normal do resto do serviço.

Finalmente, a terceira observação tem a ver com o serviço do vinho. Desespera-me o afã com que os empregados despejam, com uma irritante regularidade, o vinho nos copos, procurando esgotar tão cedo quanto possível as garrafas. Tenho assistido a cenas em que, servida uma primeira vez uma mesa com meia dúzia de pessoas, a garrafa chega logo ao fim e o empregado se apresenta, com falsa inocência, a perguntar se queremos que se abra logo outra. É uma "chico-espertice" que, no meu caso, leva a que, no final, eu o brinde o empregado com "zero" euros de gorjeta. Quando a refeição se passa entre gente sem cerimónia entre si, é possível pôr cobro fácil ao abuso, com um alerta imediato ou um "deixe ficar a garrafa, nós servimo-nos". Porém, tratando-se de pessoas com as quais há menos confiança, um gesto desses é mais difícil de ser executado, o que faz com que, não raramente, quase o volume de uma garrafa de vinho fique, no final da refeição, nos copos (em especial de quem bebe menos).

Repito: não seria possível as escolas de hotelaria ensinarem a não proceder desta forma?

3 comentários:

  1. Só por esta introdução já mereceu a visita, pois está aqui bem retratado o que há de pior na nossa hotelaria.
    Também se deve a que muito desse pessoal que serve na grande maioria dos nossos restaurantes não ter qualquer espécie de formação na área, e, pior do que isso são pessoas na sua grande maioria pouco observadoras.
    O mal disto tudo é não haver a obrigatoriedade de a cada estabelecimento do género a abrir as portas ao público não haver no mínimo um ou dois profissionais da área.

    ResponderEliminar
  2. Absolutamente, mas com uma pequena nuance - a forma de tratamento preferiria delicadamente esclarece-la na altura.

    ResponderEliminar
  3. Bons conselhos, para mais simples de executar e que deveria ser o habitual.
    Se me permite, gostaria de sugerir ainda outro também simples e igualmente "barato"; um sorriso sempre que possível, não daqueles forçados ou exagerados, mas natural. Sem dúvida um dos "ingredientes" mais importantes num restaurante para uma boa refeição.
    Resumindo, educação, saber estar e simpatia precisa-se, não basta conhecer o menu. Parece fácil não é? Mas também pode e deve ser ensinado porque infelizmente muita gente não teve o seu "chá" na altura certa.

    ResponderEliminar