Museu dos Presuntos

Se não é um frequentador regular, como é o meu caso, mas apenas episódico, e está à espera de grandes novidades na ementa, desengane-se. Nesta casa pratica-se uma comida regional sólida, com pratos há muito testados e que são uma espécie de rosto da sua tradicional oferta gastronómica. Por isso, a lista chega a parecer algo monótona, mas, se bem lida, vê-se que tem um equilíbrio próprio, dá grande segurança e oferece opções muito diversas. As incursões regulares do meu amigo Silva pela zona do Barroso permitem-lhe assegurar um permanente abastecimento de óptimos produtos da região, ao mesmo tempo que o Douro é a zona forte da magnífica garrafeira, com preços bastante razoáveis, em especial para o que por aí se vê. O presunto é sempre de primeira qualidade, a vitela barrosã é a base da bela “posta”. Não se espraie muito pelas apetitosas entradas, porque tem de estar disponível para o que vai seguir-se. O serviço pode ser um pouco lento em dias de casa cheia, mas é sempre simpático e acolhedor. Um “senhor” restaurante, um dos melhores, senão o melhor de Vila Real – que me desculpem os outros, mas a culpa é exclusivamente deles! Uma alternativa: se as mesas dos "habitués", à esquerda de quem entra, não estiverem preenchidas, o que é raro, pode provar apenas uns petiscos com vinho da casa, em malga... 
Museu dos Presuntos

Avenida Cidade de Ourense, 43
Vila Real
Tel. 259 326 017


Comentários

  1. Se tinha dúvidas, deixei de as ter...

    Eu explico: não sendo de Vila Real, mas cá morando há pouco mais de um ano, senti hoje necessidade de ir jantar fora com a minha esposa, sem saber onde se comeria bem, com bom serviço.

    Como profissional das TI, confiei o meu destino à nuvem e vim parar a este excelente blog (que já está nos favoritos, para futura referência), mais especificamente, a este post.

    Estava, pois, no Barriguinha Cheia a encher a minha barriguinha quando, sem ser por mal, deitei uma orelhita na conversa da mesa do lado...

    Fiquei com a nítida sensação que os nossos anónimos parceiros de repasto não seriam senão o caríssimo autor deste blog e sua esposa (presumo).

    E depois de ver este post, denotando que andava mesmo por estas bandas, reforço a minha ideia inicial.

    Como é imensa a Internet, e como Portugal é pequeno...

    Espero pelo seu post com a análise do seu jantar de hoje.

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  2. Evoé! Evoé!

    Deixe-me saudar com este brado báquico o regresso do Ponto Come, tanto tempo encoberto no nevoeiro virtual.
    Cumprimento também o autor, despido que foi agora o pudico pseudónimo.
    Auguro ao criador e à criatura vitórias numerosas na perene batalha pela "ressurreição do património culinário português" de que fala o facundo Quitério insurgindo-se contra dois dos seus irredutíveis inimigos: por um lado "a imaginação dos responsáveis dos restaurantes (que) não ultrapassa , na maior parte dos casos, a sopa de legumes, o peixe cozido ou grelhado com batatas, o frango ou as febras de churrasco, o bife dito da casa, o pudim flan e outros narizes-de-cera do mesmo quilate" e, por outro, o "cortejo de arremedos de cozinha francesa ou tida como tal: a cozinha nova-rica, imitação pindérica da outra, onde os ornatos disfarçam a substância, os rodrguinhos mascaram a essência".
    Trave-se, pois, o bom combate.

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