14.11.22

Terra (Foz, Porto)


Em frente do sempre excelente “Cafeína”, na rua do Padrão, na Foz do Porto, fica o “Terra”, uma casa do mesmo proprietário - e ele ainda tem outras por ali, de diferente natureza. Ontem, chegado ao Porto, escolhi lá ir, com amigos. (Ainda pensei ir ao “Wish”, ao próprio “Cafeína”, mas optei pelo “Terra”). O “Terra” sem ser, como espaço, deslumbrante, tem uma arquitetura interior bastante agradável, numa curiosa casa tradicional da Foz. No primeiro andar, em cuja varanda (cuidado com o perigoso degrau, à entrada!) tinha almoçado, já há anos, existe uma sala simpática (na imagem). O serviço é atento, profissional, competente, informado. (A música anda por ali demasiado alta, vírus que também parece ter afetado o “Cafeína”, o que é escusado. Ontem, pelos ritmos oferecidos, devem ter deduzido simpaticamente que eu tinha menos 40 anos de idade…). As três pessoas à mesa comemos bem, embora, creio poder deduzir, sem direito a um “uáu!” final. Há um menu de cozinha asiática (como não sou competente, aqui passo, mas dizem-me que tem qualidade), outra assente numa lógica predominantemente portuguesa, embora com apontamentos gustativos menos óbvios, o que é sempre de saudar. Os preços? “Preços ucranianos”, isto é, com o “travo” de inflação que esta guerra está a provocar entre nós, um pouco por toda a parte. Tenciono regressar, em breve, ao “Terra”. Pode haver frase mais simpática para acabar um apontamento sobre um restaurante?

13.11.22

Faz Figura (Lisboa)


Foi ao almoço de hoje, no “Faz Figura”, com o sol a mostrar-nos dali um Tejo soberbo. O cozido do domingo, que o Jorge Dias sempre me recorda numa semanal SMS, lá estava, magnífico, com este tipo de descrição, num dos vários “mostruários”, a ajudar-me a regular o grau de colesterol que pretendo ingerir. Há coisas muito boas nesta Lisboa!

9.11.22

Entre Amigos (Rio de Janeiro)

 


Quando, em 2018, no Rio de Janeiro, em 2018, desapareceu o afamado restaurante de origem portuguesa “Antiquarius”, a cidade perdeu um ícone social quase sem par. Criado por Carlos Perico, chegado ao Brasil na vaga pós-25 de Abril, o “Antiquarius” passou a ser um “must” carioca, com a Lisboa que detestava a Revolução - mas não só! - a fazer dali um pouso saudosista. Mas quem gostava de Abril também por lá passava, quando podia. Eu, por exemplo.

Hoje, almocei num dos restaurantes que foram criados por gente saída da boa escola do “Antiquarius”, o “Entre Amigos”. O espaço, no meio de Botafogo, é simples, em termos de decoração. Mas tem duas coisas muito importantes: boa comida e um serviço de excelência, com uma imensa simpatia às mesas. Vivesse eu no Rio e por ali faria uma das minhas cantinas.

Carlos Perico chegou ao Brasil vindo daquela que havia sido a primeira pousada portuguesa, a Pousada de Santa Luzia, em Elvas, que tinha sido criada em 1940. Constatei que o “Entre Amigos” mantinha no “cardápio” o famoso bacalhau dourado da pousada de Elvas. Decidi arriscar e não me arrependi. Posso dizer uma coisa? Raramente tenho encontrado, em Portugal, um bacalhau dourado tão bom.

30.10.22

“A Mesa”, “The Emerald Hotel” (Lisboa)

 

Conheço o preconceito: “Restaurante de hotel? Não gosto!” É uma reação tradicional e até compreensível de muita gente, fruto de experiências em locais “plásticos”, com uma oferta standardizada e pouco apelativa, às vezes a preços especulativos. Devo dizer que, também eu, resisto muito a esse tipo de escolhas, não apenas por algumas más recordações passadas, mas, essencialmente, porque os restaurantes situados fora dos hotéis têm, em regra, muito mais graça.

Em Lisboa, vivo numa zona onde não abundam os restaurantes. A área da Lapa / Janelas Verdes, mesmo se alargada à Estrela, Madragoa e Santos, não oferece muitas hipóteses de boa qualidade.

Perto de minha casa, a curta distância, as melhores opções são, seguramente, o “Geographia”, junto ao museu de Arte Antiga, e o “Clube de Jornalistas”, no topo das Trinas. Claro que também há, ao fundo das Trinas, o “Travessa”, mas isso já implica partir para uma “conta calada” (constato agora que há muito tempo que não faço uma visita à Vivianne). Depois, há coisas simples, na Madragoa, como a estimável “Varina”, onde pontua às mesas o meu amigo Veiga, e a agradável “Osteria”. Existem ainda, na rua da Esperança, outros locais de que nunca fui cliente regular. Em Santos, onde o “Frade dos Mares” se recomenda, já não vou há muito a um pouso que teve graça e fama, no tempo que era dirigido pela Sofia, o “Guarda Mor”. Tudo o resto que por ali existe não me parece muito apelativo, apenas com uma nota simpática para o “Lezíria”, mas admito poder estar a ser algo injusto. Já um pouco mais distante, mas não a “walking distance” para um comodista profissional como assumo ser, é de justiça assinalar o “Come Prima”, um belíssimo italiano.

Um dia, olhei para dentro de um hotel novo que existe junto ao museu de Arte Antiga, entrei para ver o espaço e beber um café, pedi a lista do restaurante (pedi, é uma força de expressão: li no QR Code, única forma de chegar à ementa) e achei graça ao que ali se propunha. Era comida com agradáveis notas portuguesas, a preços bem razoáveis. Fiquei com aquilo “no ouvido” e, num domingo, decidi ir lá almoçar. Ambiente agradável, serviço atento e profissional, pratos com qualidade e variedade, podendo optar-se por soluções mais ligeiras. Já lá voltei lá duas vezes, uma das quais há poucas horas. Saí sempre satisfeito.

O restaurante “A Mesa”, no hotel “The Emerald House”, é, podem crer, uma escolha muito simpática. Mas admito que o facto de eu poder ir lá a pé, ido de casa, contribua para enviesar, pela positiva, esta minha opinião.

R das Janelas Verdes, 130
Tlf. 211 506 110

23.10.22

Solar dos Duques (Lisboa)


Quando, há pouco mais de seis anos, a Petra e o Robert tomaram conta do Solar dos Duques tenho a sensação de que alguns membros da comunidade tradicional de clientes se interrogaram sobre se o restaurante, que já era visto como um clássico, pelos padrões de Campo de Ourique, não iria ser descaraterizado.

Muitos conheciam a Petra do vizinho “Stop do Bairro” - embora eu assuma que, contrariamente a muitos amigos, nunca consegui ser um fã daquela casa. Mas uma mudança, num restaurante, nunca é sossegante. Há um forte conservadorismo nas clientelas, que as leva, em regra, a serem avessas a quebras das suas rotinas gustativas: se se vai com regularidade a uma casa é porque gostamos do que nos servem por lá, pelo que a chegada de uma nova gerência é sempre recebida com alguma dúvida.

A Petra e o Robert provaram, em pouco tempo, que as inquietações dos clientes do Solar não tinham razão de ser. Com inteligência e sensibilidade comercial, mantiveram o essencial da oferta gastronómica anterior, com escassas adaptações, pelo que rapidamente aquietaram as (também minhas, confesso) preocupações.

O Solar dos Duques mantem-se, nos dias de hoje, como uma casa sólida e com uma qualidade constante, graças a uma estabilidade na cozinha que a isso tem ajudado, embora com cíclicas flutuações no serviço de sala que os proprietários procuram colmatar.

A pandemia constituiu um abalo forte para o Solar, que esteve fechado por muito tempo, não recorrendo ao “take away”. Recordo-me de por lá ter ido, após a reabertura, em dias difíceis e quase desalentadores. Mas a Petra e o Robert conseguiram, com o seu profissionalismo e determinação, dar a volta à crise, saindo dela sem recurso a um aumento especulativo dos preços.

Para quem não conhece o Solar dos Duques, direi que se trata de um simpático restaurante burguês (é um conceito que prezo), que trabalha com produtos de qualidade, dispondo de um espaço agradável, com um bom ambiente, uma lista equilibrada e uma oferta de vinhos razoável, a preços aceitáveis, ainda que passível de alguma afinação na diversidade.

Três notas finais. A primeira para dizer que estacionar em Campo de Ourique “é obra”, salvo no parque junto à igreja, que não fica longe. A segunda é que convém reservar sempre (213 872 674), porque há dias de enchente. A terceira é que não se deve confundir, como muita gente faz, o Solar dos Duques, que fica em Campo de Ourique, com o Solar dos Nunes, em Santo Amaro, aliás, uma casa também estimável.

O Solar dos Duques continua a ser uma das minhas “cantinas” regulares em Lisboa.

21.10.22

Raposo (Lisboa)


Sei muito pouco do restaurante de que hoje falo. Não faço ideia de quando nasceu, não sou amigo dos donos, nem outras coisas que criam intimidade com o lugar e nos ajudam a escrever sobre ele.

Nasci para este restaurante há já uns bons anos, fruto de um convite de um primo que sabe da poda e não mora longe. Desde esse longínquo jantar (a “tertúlia dos primos”, uma das minhas favoritas, amesenda ali muitas vezes), fiquei com o Raposo no radar.

O Raposo fica no 58 da rua Passos Manuel, uma artéria que desemboca no Jardim Constantino e na Pascoal de Melo, que liga a Almirante Reis à Estefânea. Antes, apenas me lembro de ir por ali à Assírio & Alvim e a um clássico chamado Vaskus, um restaurante que, há muitos anos, chegou a estar na moda (passei lá há meses, já depois de reabilitado: estava apenas “assim-assim”).

O exterior do Raposo sofreu, há tempos, um toque de elegante modernidade europeizante. No interior, a decoração é mais despretensiosa, com as clássicas garrafas no balcão (que sempre passo em revista). O serviço é simpático, sem ser mesureiro, o ambiente é solto, bem disposto.

Sinto que estão a desaparecer os restaurantes do género do Raposo. E qual é o “género” do Raposo? Ora bem, são restaurantes populares “ma non troppo”, de sólida cozinha portuguesa, com qualidade e generosas quantidades, com uma oferta de pratos não exagerada, lista de vinhos competente e gente para nos aconselhar coisas novas no meio dela. E com preços razoáveis e não especulativos.

Contrariamente a muitas outras casas do género, no Raposo não nos sentimos num restaurante já “cansado”, com pessoal antigo mas displicente, com notas de regular desatenção culinária, como se já não valesse a pena fazer um esforço de brio. No Raposo (que eu tivesse dado conta!) não se pratica o erro mais comodista da mediocridade restaurativa lusitana: servir pratos diferentes com exatamente o mesmo acompanhamento. Ah! E os guardanapos são de pano, imaculados (guardanapos de papel excluem-me, em regra, do futuro de um qualquer restaurante que pretenda ser mais do que uma tasca).

O Raposo parece ter uma clientela fiel, feita de pessoas que ali sabem bem ao que vão e o que querem.. Se acaso levarem carro (aviso: continuarei a cometer sempre esse erro, para todo o lado onde vá, e prometo nunca me corrigir), preparem-se para dar algumas voltas “ao bilhar grande”. Reservem mesa (213 531 059), porque, com alguns bloguistas linguareiros a gabar o local, aquilo está muitas vezes cheio. Mas o Raposo é ainda, nos dias de hoje, um segredo bem guardado.

Uma curiosidade: o Raposo está situado naquele que é o maior quarteirão de Lisboa! Façam a experiência, vão por mim!

19.10.22

Casas do Bragal (Coimbra)

 


Coimbra, para mim, foi sempre um mistério em matéria de restauração recomendável - e deixo estas linhas expostas às balas de reação dos conimbricenses fanáticos. Por anos, e porque a abundante Bairrada era já ali perto, passávamos adiante. Nos tempos em que a sina rodoviária nos encafuava obrigatoriamente na EN 1, às vezes com longas filas para atravessar a cidade, um tio ensinou-me o “Pinto d’Ouro”, um clássico desaparecido há muito (os últimos anos foram de trágico declínio), à entrada da ponte. Do outro lado do Mondego, havia um restaurante simpático, cujo nome me escapa, logo à saída da Portagem, nos primeiros metros a caminho da estrada da Beira. Se com pressa, ia-se a uma espécie de snack-bar, cujo nome também esqueci, em frente à Auto-Industrial. Com mais tempo, numa de típico, fazia-se uma surtida ao Zé Manel, mas eu nunca fui muito de ossos. E que mais? A sério, havia o restaurante das piscinas e ainda há, mais p’ró fino e carote, mas muito bom, o “Arcadas da Capela”, na Quinta das Lágrimas. E uma ou outra coisa, como o restaurante do museu Machado de Castro, uma boa experiência. Mas tenho de me informar melhor sobre a atual oferta restaurativa em Coimbra.

Há já bastantes anos, tendo afazeres em Coimbra, telefonei a um oráculo de estimação, que sabe imenso sobre isto, perguntando por dicas. Foi ele quem me falou do “Casas do Bragal”, uma reconstrução como ideia, nas cercanias de Coimbra, de um restaurante que já tinha existido na Beira. Creio que ainda não tinha experimentado a casa, mas tinha boas referências, pelo que até lhe era útil uma “cobaia”. E lá fui. O “lá” é mais fácil de dizer do que de chegar. Não me vou pôr aqui com explicações. Metam o GPS ou telefonem, pedindo indicações. Fica a 10 minutos de carro do centro de Coimbra, embora esta seja uma cidade em que o conceito de centro é mais que discutível.

O importante é que, em Coimbra, me “viciei” na cozinha da Manuela Cerca, com a sala sob o comando do Eugénio Martins. Um espaço interessantíssimo, numa moradia de bairro, em que os pratos são pedidos enquanto nos refastelamos com um gin numa zona de sofás, rodeados de livros e revistas, só partindo para a mesa mais tarde, quando por lá já estão as seis entradas e as vitualhas centrais se aprestam a chegar. A carta vai variando. Peçam ao Eugénio sugestões de vinhos: já me fez descobrir coisas interessantes. As sobremesas estão num lugar onde sempre vou petiscar várias doçarias, para crédito da minha taxa de glicémia. Os preços, bem, os preços estão na conta de um restaurante de qualidade.

As minhas mesas preferidas


(Post publicado em 2019. Fiz apenas algumas eliminações. Dentro de dias atualizarei)

Alguns amigos, que às vezes por aqui me veem citar um ou outro restaurante, têm-me perguntado se tenho alguma lista de “favoritos” e, nesse caso, se a posso divulgar.  Claro que sim! Não é nenhum segredo!

Vou assim indicar os meus 10 restaurantes preferidos por região.

Faço, contudo, cinco avisos prévios:

O primeiro é que não incluo nenhum restaurante de cozinha “contemporânea”, “de autor”, com estrelas Michelin. Falarei apenas de restaurantes de cozinha tradicional portuguesa.

O segundo aviso é que, por esta última razão, também não incluo culinárias estrangeiras, a chamada “cozinha étnica”. Quem andar pelos “sushis”, indianos, chineses & outras geografias nada encontrará aqui.

O terceiro para alertar que, com exceção de Lisboa e Porto, só indicarei um restaurante por localidade, o que reconheço pode ser algo injusto para algumas casas.

O quarto aviso é para assinalar que não há nenhuma ordem na menção dos restaurantes, nem sequer alfabética, sendo misturados restaurantes de nível muito diferente, que têm em comum o facto de eu gostar de os frequentar.

Finalmente, quero deixar claro que estes não são, necessariamente, os 10 melhores restaurantes das respetivas regiões, mas apenas aqueles que vêm à minha memória gustativa quando por lá passo e penso em comer bem.


Minho


São Gião, em Moreira de Cónegos, Guimarães

Carvalheira, em Ponte de Lima

Casa de Armas, em Viana do Castelo

Adega do Sossego, em Melgaço

Dona Júlia, em Braga

Victor, em São João de Rei, Póvoa do Lanhoso

Bagoeira, em Barcelos

Caneiro, no Arco do Baúlhe, Cabeceiras de Basto

Mariana, em Afife

Costa do Vez, nos Arcos de Valdevez




Porto e arredores


Cozinha do Manel, Campanhã, Porto

Gaveto, em Matosinhos

Antunes, rua do Bonjardim, Porto

António, em Leça

Casa Nanda, rua da Alegria, Porto

Adega São Nicolau, Ribeira, Porto

Cozinha da Terra, em Louredo, Paredes

Lider, Antas, Porto

Mário Luso, nos Carvalhos


Acrescento a estes 10 restaurantes outros dois, de uma natureza um pouco diferente, fugindo ao modelo de cozinha tradicional portuguesa do grupo anterior, mas que, para mim, são também incontornáveis, ambos, aliás, na zona da Foz.


Cafeína, na rua do Padrão, Foz

Wish, no largo da Igreja, Foz






Trás-os-Montes e Alto Douro


Taberna do Carró, em Torre de Moncorvo

DOC, na Folgosa

Lameirão, em Vila Real

Toca da Raposa, em Ervedosa do Douro

Costa do Sol, em Vila Pouca de Aguiar

Cozinha da Clara, Quinta de La Rosa, Pinhão

Carvalho, em Chaves

Geadas, em Bragança

Castas e Pratos, na Régua

Maria Rita, no Romeu, Mirandela




Beira Interior


Cantinho do Tito, em Viseu

Cova da Loba, em Linhares da Beira, Celorico da Beira

Vallecula, em Valhelhas

Restaurante da Pousada, em Belmonte

Taberna A Laranjinha, na Covilhã

Casas do Coro, em Marialva

Entre Portas, em Pinhel

Três Pipos, em Tondela

Tasquinha do Matias, na Ucanha, Tarouca

O Lagar, Herdade do Regato, em Castelo Branco



Beira Litoral


Puttanesca, em Leiria 

Salpoente, em Aveiro

Queirós, em Avelãs do Caminho

Tia Alice, em Fátima

Parlamento, em Arouca

Casas do Bragal, em Coimbra

Chico Elias, Algarvias, em Tomar

Vidal, Almas da Areosa, em Águeda

Burgo, na Lousã

Restaurante do Hotel do Buçaco, no Buçaco




Estremadura e Ribatejo


O Malho, em Alcanena

Tribeca, Serra d’El-Rei, em Peniche

Sabores d’Italia, nas Caldas da Rainha

O Traçadinho, em Óbidos

Taberna do Quinzena, em Santarém

Fuso, em Arruda dos Vinhos

António Padeiro, em Alcobaça

Casta 85, em Alenquer

Taberna do Alfaiate, no Cartaxo

Lisboa


Entramos num mundo de excelentes restaurantes (e também de muito maus restaurantes, diga-se). É difícil (e, por isso, vale a pena começar por tentar) restringir a 10 os meus restaurantes preferidos de Lisboa. Ou melhor: a 10 mais 2. Mas eles aqui vão:


Horta dos Brunos, Estefânea

Nobre, Campo Pequeno

Café de São Bento, São Bento

Magano, Campo de Ourique

Salsa e Coentros, Alvalade

Galito, Luz

Poleiro, Entrecampos

Solar dos Presuntos, Baixa 

Solar dos Duques, Campo de Ourique

Vela Latina, Belém



Dois casos à parte, de natureza diferente, de que também gosto bastante:


Gambrinus, Baixa

Ibo, Cais do Sodré



Dada a imensa oferta de restauração de Lisboa, admito que o leitor possa perguntar: e se acaso tivesse que indicar mais 10 restaurantes, quais seriam? Eles aqui ficam:


Nunes Marisqueira, Belém

Mattos, Avenida de Roma

Solar dos Nunes, Alcântara

Adega da Tia Matilde, Bairro Santos

Descobre, Belém

Apuradinho, Campolide

O Jacinto, Telheiras

Faz Figura, Santa Apolónia

Os Courenses, Alvalade

Clube dos Jornalistas, Madragoa

Raposo, Estefânea


E se outro leitor, ainda mais teimoso, me desafiasse a indicar mais 10? São estes:


Café In, Belém

Clube Naval de Lisboa, Belém

Tasca da Esquina, Campo de Ourique

Dom Feijão, Avenida de Roma

Miudinho, Carnide

Chapitô, Castelo



Agora, vou ainda deixar 10 mesas lisboetas bem “menos óbvias”:


Solar dos Leitões, Buraca

Delícia, Moscavide

Imperial de Campo de Ourique

Tasquinha do Lagarto, Campolide

Carteiro, Santa Marta

O Castiço, Baixa

Sé da Guarda, Algés

Zé Pinto, Benfica

Luís, Alvalade



e, finalmente, indico 10 mesas “à volta” de Lisboa:


Orelhas, Queijas

Casa da Dízima, Paço de Arcos

Cimas, Estoril

Adraga, Almoçageme

Solar dos Pintor, Loures

Búzio, Praia das Maçãs

Zé Varunca, Oeiras

Mar do Inferno, Cascais

Curral dos Caprinos, Sintra

Atira-te ao Rio, Cacilhas




Alentejo


Tasquinha do Oliveira, em Évora

Maria, no Alandroal

Tomba Lobos, em Portalegre

Mercearia do Gadanha, em Estremoz

Afonso, em Mora

O Chana, na Aldeia da Serra

Molhó Bico, em Serpa

Dona Bia, na Comporta

Bolota, em Terrugem

Taberna do Adro, em Vila Fernando, Elvas



***

Concluo este “trabalho” com a apresentação de três listas.

A primeira lista é muito curta, e diz respeito ao Algarve. Trata-se de uma zona do país que não visito com regularidade, pelo que não estou suficientemente atualizado quanto à sua oferta restaurativa. Assinalo apenas alguns escassos (bons) restaurantes que conheço.

O mesmo se passa quanto aos Açores e Madeira, onde ficam, numa segunda lista, algumas escassíssimas notas.

Finalmente, uma lista mais longa, que é uma espécie de repescagem de mesas que não couberam nas listas regionais dos “10 mais”, mas que aí poderiam ter ficado, com alguma justiça. Não faço isso relativamente a Lisboa, porque duas listas complementares já foram apresentadas, aquando da indicação das “10 mesas” da capital.



Algarve

Noélia, em Tavira

António Tá Certo, no Garrão, Loulé

2 Passos, Ancão, em Loulé

Adega Vila Lisa, em Portimão




Madeira e Açores


Quinta do Furão, em Santana, Madeira

Fajã dos Padres, em Câmara de Lobos, Madeira

Villa Cipriani, no Funchal, Madeira

Vides, Estreito de Câmara de Lobos, Madeira

Boca de Cena, em Ponta Delgada

Alcides, em Ponta Delgada




Restaurantes deixados para trás

Minho

Bocados, Ponte de Lima

Abocanhado, no Bouro

Tasquinha da Linda, em Viana do Castelo

O Laranjeira, em Viana do Castelo

Pedra Furada, em Barcelos

Casa Álvaro, Gansei, em Valença



Trás-os-Montes e Alto Douro


Abel, em Gimonde

Cais da Vila, em Vila Real

Aprígio, em Chaves

Chaxoila, em Vila Real

Artur, em Carviçais


Porto

Quinta do Outeiro, em Amarante

Marisqueira Antiga, em Matosinhos

O Sapo, em Irivo, Penafiel



Beira Interior


Lá em Casa, em Gouveia

Preguiça, em Foz Côa

Adega dos Apalaches, em Oleiros

Santa Luzia, em Viseu

Valério, em Mangualde

Museu do Pão, em Seia



Beira Litoral, Ribatejo, Estremadura


Marquês de Marialva, em Cantanhede

Mugasa, na Mealhada

Taberna do Alfaiate, no Cartaxo



Alentejo


Origens, em Évora

Fialho, em Évora

Dom Joaquim, em Évora

Escola, em Alcácer do Sal

Pompílio, em Elvas

Maçã, no Lavre




Espero que quem por aqui me lê possa ter encontrado alguma utilidade naquilo que deixei assinalado.

17.10.22

Paco (Lisboa)


Há quantos anos eu não ia ao “Paco”, em frente à Gulbenkian! Nesse tempo, nos anos 70 e 80, o “Paco” era a opção “do meio” entre a “Gôndola”, que já lá vai, e o “Ó Lacerda”, que estoicamente ali continua.

O “Paco” foi sempre, para mim, uma coisa da noite, como o foram, lá mais para a Avenida de Roma, a “Alga” e o “Alfredo”, ou, no Saldanha, o “Toni dos Bifes” e o “Galeto”. Fechava tarde, tinha umas coisas banais mas que nos pareciam simpáticas, talvez porque o nosso grau de exigência não fosse então muito elevado.

Levado pela nostalgia, no fim de um concerto na Gulbenkian, no sábado passado, fui jantar, para o tarde, ao “Paco”, com uns amigos.

O que é que posso dizer desta nossa experiência? Vou ser piedosamente sintético: demorarei a regressar ao “Paco” o mesmo número de anos que estive sem lá ir. Ponto.

5.10.22

Cícero (Lisboa)


Cícero Dias foi um excelente pintor pernambucano, da época do modernismo. Alguém decidiu homenageá-lo em Lisboa, criando um restaurante-bistrot em Campo de Ourique, chamado “Cícero”. Fica na rua Saraiva de Carvalho, no local onde esta artéria cruza com a Tomás da Anunciação. Os proprietários, recheados de bom gosto estético, criaram, num espaço limitado, quatro áreas diferenciadas. A obra de Cícero Dias é evocada por lá.

(Imagino que os proprietários do restaurante não façam a menor ideia de que a casa onde se instalaram alojou, por muitos anos, uma empresa brasileira, a Dimep, criada pelo português Dimas de Melo Pimenta, dedicada ao fabrico de relógios industriais. Por que sei isto? Porque a Dimep foi objeto de uma intervenção estatal, em 1975, no auge da Revolução portuguesa. E porque tive como tarefa, como jovem diplomata, dois anos mais tarde, secretariar uma comissão inter-ministerial luso-brasileira que teve de tratar de essa e de outras questões similares. E guardei para sempre o nome da Dimep (e do Pão de Açúcar) como uma delas.)

Voltando ao restaurante. A lista não é muito longa, mas está bem construída, com criatividade e muito saber. Se consultar o site, pode ficar a saber bastante, do menu aos preços: https://cicerobistrot.pt . Mas só ficará a conhecer mais se passar mesmo por lá, como eu fiz hoje, para almoçar, depois de ontem um amigo me ter falado do “Cícero”. Comi bem e gostei do serviço, muito profissional. Só posso desejar sorte à gente do “Cícero”.

27.8.22

Vela Latina (Lisboa)




Vou confessar uma coisa: durante anos, quase sempre que alguém do PSD combinava comigo um almoço, para tratar de uma questão de natureza política, tinha quase a certeza de que o restaurante sugerido seria o “Vela Latina”. O pessoal do CDS sugeria sempre coisas clássicas e centrais, às vezes clubes; os do PCP optavam por locais mais espartanos e discretos, na outra banda ou em bairros periféricos; os do Bloco eram lugares de ambiente leve mas “trendy”, com preços razoáveis; os do PS? Comem onde calha, mas sempre bem! Um dia, e no estado em que anda a academia, ainda veremos alguém fazer um doutoramento de sociologia política em torno das preferências de raíz gastronómica dos quadros políticos. Contem comigo como fonte!

O “Vela Latina”, que fica nas proximidades da Torre de Belém, tem a superior vantagem de sempre se poder estacionar o carro, usando os seus lugares privativos. Ora eu, como assumido comodista de alto coturno, faço parte de quantos, sendo tal possível, estacionam mesmo em frente à porta dos locais onde pretendem comer.

Numa certa altura, o restaurante acomodou-se, se assim se pode dizer: não evoluía, a comida era de qualidade mas não entusiasmante, o serviço era cuidado e sempre atento, mas dava ares de começar a ser uma casa “cansada”. Ia-se lá por comodismo, na lógica: “Onde vamos comer? Sei lá! Olha! Talvez ao “Vela Latina”. É fácil de estacionar…”

Depois, um dia, tudo mudou. O “Vela Latina” renovou-se. Melhorou a lista, atualizou os vinhos, reviu o mobiliário, arejou a varanda (e até parece que criou uma dimensão asiática, na antiga sala de espera. Mas essa não é a minha praia, porque, tal como dizia, com óbvio exagero, um velho amigo, há semanas desaparecido, “em matéria de restaurantes étnicos, eu não passo dos alentejanos!”). O serviço - que ali foi sempre muito simpático, note-se! - mantém-se com grande qualidade: informado e atento. E, o que é mais importante, está-se a comer muito bem.

Preço? Forte mas adequado ao conjunto do que nos proporcionam. Eu gosto, cada vez mais, do “Vela Latina”. E continuo a ver por lá amigos do PSD! Os que têm bom gosto, claro!

21.8.22

“São Gião” (Moreira de Cónegos)


Posso imaginar que, para algumas pessoas, seja uma ousadia eu dizer, sem papas na língua, que este é o melhor restaurante de Portugal. Seja! Essa é a minha opinião e, para quem aqui me acompanha, isso não é nenhuma novidade. Passei por lá ontem. A carta tem coisas novas, desde as entradas (mas repeti os clássicos figos recheados com foie gras) até às sobremesas (nunca tinha provado tonka!), passando por alguns pratos (o bacalhau salteado com espinafres e gambas estava que nem lhes digo!). Imaginação, criatividade e um uso muito competente dos produtos da terra, com os cogumelos regularmente à mão daquela cozinha. Como a ocasião impunha comemorar (só se vive uma vez!), saiu um Crasto reserva, por forma a ter um suporte líquido à altura dos sólidos que iam vindo para a mesa. Brindou-se também à memória de uma grande amiga brasileira, que adorava aquele local. Um dia não são dias! O João Nunes, na ausência momentânea do pai Pedro, fez-nos as honras da casa. Faço notar, além de tudo, que o serviço de mesa do São Gião é impecável, com a delicadeza nortenha a marcar um profissionalismo sem falhas. 20 valores! Onde fica o São Gião? Em Moreira de Cónegos, a dois passos de Guimarães, ao lado do estádio do Moreirense (que ontem deu 3-0 ao Torreense, resultado infelizmente logo copiado, com imensa falta de imaginação, ali perto). Ainda bem que Moreira de Cónegos é longe de Lisboa! Se o São Gião ficasse em Moscavide, eu já estava arruinado! Porque alguns perguntam: e o preço? Adequado, é o que posso dizer.

20.8.22

Restaurante da Pousada (Santa Maria do Bouro)


Há bastantes anos que conheço o local, que deve ser, muito provavelmente, o mais majestoso espaço de restauração comercial do país. Trata-se da sala de refeições da Pousada de Santa Maria do Bouro. Pousei agora lá, por uns dias, "para descanso do pessoal”. E todas as noites ali jantei, sempre muito bem. A carta foi renovada e está mais consistente e equilibrada. Os “amuse-bouche”, para meu gosto, podiam ter uma apresentação mais elegante. Também a carta de vinhos ganharia em ser revista. Agora que a pandemia se foi, regressaram as sobremesas à mesa central de pedra, o que foi uma excelente notícia (exceto para a minha glicose)! Última nota: o pessoal é extraordinário de simpatia!

19.8.22

“Victor” (São João de Rei)

Há anos que não falho uma ida ao “Victor”, em São João do Rei, perto da Póvoa do Lanhoso. Vou pelo bacalhau, claro!, porque essa é a escolha certa por ali. Grelhado. Não conheço melhor lugar para o saborear, com um alvarinho de qualidade a acompanhar. Do mesmo bicho norueguês, acho sempre adequado começar por uns bolinhos, feitos com ovos da casa, que tornam bem amarela a massa. A gulodice fez também com que não evitasse o leite creme queimado na ocasião. O meu amigo Victor Peixoto, que passou a fronteira dos 80 com imenso garbo e não menor estaleca, continua bem ativo da sala. Enfim, foi o que pode chamar-se um almoço sem espinhas…

17.8.22

“Cruzeiro” (Santa Maria do Bouro)


Há quantos anos conheço o "Cruzeiro", em Santa Maria do Bouro? A casa tem 63 anos. Devo ter ido por lá, a primeira vez, nos anos 80, quando o Gerês andava muito no meu roteiro regular de férias. Quase que aposto que a lista não devia andar longe daquilo que ainda hoje é: o cabrito, o bacalhau, a carne assada, as papas de sarrabulho, os rojões, o pernil e coisas assim. Até das rabanadas da casa me lembro. Hoje, voltei a almoçar lá. Era um dia “impossível”! Nos agostos, há um mundo a pousar por ali, muitos emigrantes com família, muito viajante pelo Minho, que já aprendeu onde se come bem. O “Cruzeiro” não aceita reservas para depois do meio-dia-e-meia. Assim, à chegada, há que “dar o nome” e esperar. E assim fiz e fiz muito bem. Dez minutos depois, com a casa a abarrotar, na ordem devida, estávamos sentados e tudo começou a chegar, na sequência certa, cozinha rápida, simpatia e diligência no serviço, impecável de eficiência e elegância (guardanapos de pano, claro). Ah! E comeu-se bem. Aproveitei a passagem, junto à mesa, da Dona Maria Isabel, a conhecida proprietária que ainda hoje dá uma mão, no meio daquela azáfama, para a felicitar pela qualidade do que o “Cruzeiro” há anos nos proporciona. Querem saber quanto custou um cabrito para dois, antecedido de sopa, sobremesas, pão e manteiga e meia de Esteva? 35 euros! É verdade! Como antes se dizia: há um Portugal desconhecido que espera por si.

“Beach Club” (Soltróia)


É um restaurante ciclotímico: já lá comi mal, já lá comi mais-ou-menos, alguém me recorda (porque me não lembro) de que já por lá se comeu muito bem. E que até por ali se dançou! Fui há duas semanas. Estava com uns preços, nos pratos e nos vinhos, a exagerarem muito nos algarismos. O serviço, multinacional (com bastantes brasileiros, o que dá sempre um superávite de simpatia a qualquer casa), foi competente. A comida não estava má, mas tudo depende do preço que estivermos dispostos a pagar por aquilo que nos colocam no prato. E ali pedem bastante por isso. O Beach Club é o único restaurante de Soltróia. Abre escassos meses no ano e, de certo modo, há que ter isso em conta quando olhamos para o custo de uma refeição. Mas o saldo impressionista que fiz, à saída, não foi extraordinariamente positivo. No próximo ano, volto. Sou um resistente. E espero, sinceramente, que tenham sorte!

15.8.22

Gonçalves (Carrasqueira)


O Retiro do Pescador (da Sílvia) estava fechado. O Rola não atendia o telefone. A Escola também não. O Grão de Bico não servia jantares. Aquilo, lá por Tróia, está sem grande graça. Achámos que, na Comporta, o São João e a Cervejaria não deviam ter lugares. Nem pensei em tentar conseguir uma mesa, a uma hora decente (às vezes, propõem que cheguemos num horário que é mais adequado a um lanche, outras vezes já a cair para uma ceia), no Dona Bia, no Gomes ou no Museu do Arroz. Nem nos restaurantes das praias, onde as melgas nos comem vivos, desde os parques de estacionamento (será minha impressão ou este ano há menos?). Decidimos, assim, ir ao Gonçalves, na Carrasqueira. Lembrei-me, ao chegar, que ali tinha cruzado, uma noite, o meu amigo Caetano da Cunha Reis (e telefonei dali à Mami, a saudar a memória do Caetano). Nesta ida ao Gonçalves, comeu-se como sempre, sem exceção, se comeu por lá: relativamente bem. O meu prato, contudo, que parecia uma coisa simples, demorou imenso a aparecer. O serviço foi agradável, mas ineficaz face à gestão temporal da cozinha, onde vislumbrei um funcionário com um turbante com a cor do rótulo da quinta do Vallado. A conta final não surpreendeu. Saldo? Treze valores, desta vez, para utilizar uma medida clássica.

14.8.22

“Cavalariça” (Comporta)


Tinha ido lá, a última vez, no saudoso tempo em que ninguém ainda tinha ouvido falar do almirante Gouveia Melo, isto é, fui lá antes da pandemia. Trazia na memória “mixed feelings”. A comida tinha sido boa, mas o serviço era um pouco “casual arrogant” (ou “a armer”, como diz, em erro francês deliberado, uma familiar minha), o preço era demasiado “puxadote”. Por essa altura (agora não é muito diferente, a bem dizer), salvo nas praias, a Comporta tinha poucas alternativas onde se podia ir à confiança. Passando ao que importa: está-se a comer muito bem, nos dias de hoje, no Cavalariça! Comida imaginativa, lista interessante, muito bem confecionada e apresentada, serviço de mesa muito agradável (que não percam o profissionalismo dessa brasileira de Santa Catarina!), preço, naturalmente, “a condizer”. Mas sai-se com a satisfação de ter gasto bem o que lá se deixou.

13.8.22

Il Mercato (Lisboa)



Já não ia há uns bons tempos a este italiano do Pateo Bagatela. Costumo assentar mais numa tertúlia, na esplanada do Páteo 51, a casa imediatamente ao lado (onde não se come nada mal, adianto desde já, e a preços que me parecem mais em conta). Uns degraus acima, parei às vezes, com o Nuno Brederode e a Céu Guerra, no Sabor & Arte (de que guardo boa memória). Ao balcão do Il Mercato vendem-se produtos alimentares de Itália, que adivinho serem bons, a ajuizar por um queijo e um presunto desgustados. No restaurante, ao almoço de hoje, a comida estava muito boa, o serviço foi (mesmo) muito atencioso, os preços não me pareceram nada especulativos. O restaurante-loja é do mesmo dono (nepalês) do Forno d’Oro (a 100 metros, onde só fui uma vez, para uma pizza, depois de ali ter deixado de ser o excelente Mezzaluna), do meu quase vizinho de casa Come Prima (onde nunca comi mal, noto) e da Casa Nepalesa, na Elias Garcia (onde, há meses, jantei bem e prometi a mim mesmo voltar). Um dia, tendo-me eu queixado, aqui pelas redes sociais, de que não fazia sentido, no Il Mercato, pagar-se ao balcão, no fim da refeição, juntamente com os clientes da loja, o que originava filas e protestos, o dono teve a gentileza de telefonar-me, dizendo que o assunto estava a ser repensado. E fizeram-no. Hoje paguei na mesa. (Uma nota prática: o Páteo Bagatela possui um conveniente parque para automóveis, por debaixo, o que é sempre um “must” a considerar).

20.7.22

Geographia (Lisboa)


O “Geographia” é, dos restaurantes “íveis” (isto é, restaurantes a que se pode ir), o que fica situado mais próximo do local onde vivo. Onde fica? Basta dizer que, da porta do restaurante, se vê a parede lateral do Museu Nacional de Arte Antiga.

Conheci a casa numa outra encarnação, bastante mais simples. De um sítio singelo (em linguagem de fado) de bairro, com o dono a conhecer pelo nome os clientes, o “Geographia” nasceu um dia, já há alguns anos, com mais ambições e sob um conceito (diz-se assim, não é?) diferente.

O tal “conceito” foi reproduzir, na oferta apresentada, pratos com reminiscências dos locais por onde os portugueses andaram. (Uma excelente ideia, quanto mais não seja para excitar o de insalubre debate sobre a ”apropriação cultural”). Estas “propostas” (também se usa, não é?) de fusão são feitas com inteligência e muito bom gosto (o bom gosto tem no gosto a sua melhor expressão), sabendo ser criativas, mas nunca entrando pela irresponsabilidade, nesta combinação de sabores.

Os puristas de comida africana, indiana ou brasileira devem ficar um tanto espantados. Eu, que sou tributário de uma herança culinária de simplória mas sólida cozinha portuguesa, sinto-me lindamente com as ousadias praticadas pelo “Geographia “. O que, para muitos, será talvez uma prova indireta de que a ousadia, por ali, não é assim tão ousada como isso.

O espaço não é deslumbrante, mas a decoração é de bom gosto. Uma insonorização mais ficaz apuraria o conforto. O pessoal (diz-se colaboradores, não é) é que, infelizmente (mas isto parece ser pecha do setor), vai e vem. É sempre gente que se percebe ter sido instruída para ser simpática, o que normalmente conseguem ser, mas, em matéria de serviço, há muito concluí que a simpatia está longe de resolver tudo. Também um pouco mais de ambição na variedade de vinhos seria desejável e, em dias de enchente, seria também muito importante não deixar acabar cedo os pratos mais icónicos (esta expressão também se usa muito, não é!) da casa.

Com as críticas atrás feitas, eu recomendo o “Geographia”? Claro que sim! Um local onde nunca comi um prato mal confecionado, com pessoal amável embora muitas vezes inexperiente, com uma cozinha que sai da vulgaridade e ousa a criatividade com bom senso e bom gosto, merece que o apoiemos. E o preço não irrita, o que ajuda. Eu sou cliente e eles já sabem: quando algo me desagrada, digo-lhes. Logo.

Se for de carro, prepare-se para andar às voltas. As reservas são essenciais, pelo 213 960 036.

17.7.22

Clube de Jornalistas (Lisboa)


Foi-se a Gôndola, apagou-se o Trinta e Três, já há muito tinha desaparecido o Antigo Retiro do Quebra-Bilhas. Outros lugares ao ar livre, às vezes com uma parreirinha (no Rato, no Campo Pequeno, na Luneta dos Quartéis), ousaram contrariar uma Lisboa que, por muitos anos, parecia amedrontada em comer sob o céu.

Há já muitos anos, no 129 da rua das Trinas, já perto da rua da Lapa, numa antiga escola primária, vi aparecer o restaurante Clube dos Jornalistas, onde o dito clube parece ter sede. Tem uma zona interior simpática mas tem, essencialmente, um fabuloso jardim nas traseiras. Por lá comemorei, em grupo, décadas de entrada para o MNE, por lá estive num casamento.

A casa teve vários tempos. Esteve muito na moda, tinha um cozinheiro creio que basco, depois passou por um período menos feliz, em que, em idas por lá (sou vizinho, a “walking distance”), dei por mim a recordar esses outros tempos melhores e a prometer não voltar. Mais recentemente, já há uns anos (estas minhas notas são impressionistas, socorro-me da memória, não “checko” nada), a qualidade do restaurante ficou bastante mais sustentada. Há uns pratos clássicos, com algum sentido de invenção, os vinhos têm escolhas pouco comuns (teve mesmo uns, cujo nome era um algarismo, que eram muito bons) e o serviço, algo “casual” contemporâneo (mas nada do “casual arrogant” que anda por aí à solta), é simpático e atento.

Há uma semana, organizei por lá uma festa de aniversário de uma pessoa e tudo correu muito bem. Disse-o, com gosto, à Luísa, que gere, com muita eficácia, o estabelecimento. Preço? Já foi mais barato, mas não acho caro. E é bom, agradável e tem aquele jardim!

Ah! E o Clube dos Jornalistas está aberto aos domingos, mesmo para jantar! Nesta época do ano, não vá sem reservar (213 977 138). Pode tentar levar carro, mas a zona não é muito dada a surgirem vagas para estacionar.

16.7.22

Jockey (Lisboa)


Para quem não conhecer o local, lá chegar pode ser uma espécie de aventura (talvez com GPS seja fácil). O Jockey é um restaurante que fica no meio do hipódromo do Campo Grande. Entra-se pelo topo norte da avenida que passa em frente à cantina e por detrás da reitoria da universidade de Lisboa. É essencial reservar (217 957 521). Dizemos ao que vamos numa cancela e procuramos o local. Há que ter cuidado onde se estaciona, porque as vagas, por ali, são como agulhas num palheiro - e ali há muita palha! Pelo caminho, não se admire se, às vezes, se cruzar com uma fauna de nariz arrebitado, a armar ao fino e a bater o tacão, claramente indisposta por interrompermos a exclusividade do seu lazer equino.

A sala é interessante, com uma espécie de reservados em modelo de “cavalariças”, onde se acomodam os grupos. No bom tempo, o restaurante abre-se para um amplo e belo espaço exterior. Come-se bastante bem, os preços não são excessivos para o ambiente e para a qualidade daquilo que nos é proposto, há uma inteligente lista de vinhos e o serviço é feito por um pessoal experiente, com simpatia profissional “standard”. Gosto bastante de ir ao Jockey, como ontem fiz, com amigos.

12.2.22

DeRaiz

 



Assim não vamos lá! Ou há mudanças drásticas ou este país não se endireita! Não há dietas que resistam, o colesterol (como a inflação, os juros e o serviço da dívida) não para de aumentar, os trigliceridos disparam, os açúcares ficam sem dono. O SNS, assim, estoura! Ou se aproveita esta maioria absoluta para pôr cobro a isto ou o país fica ingovernável!

Ontem, fui a um restaurante que se revelou “impossível”. Ia por indicação de um amigo, que sabe imenso da poda. Era, disse-me, um local “muito bom e a preços muitos decentes”. 

Pois isso! Desconfiei logo! A 12 minutos do centro de Viseu? Este tipo de lugares excêntricos criam-me sempre uma fundada suspeita. Ó meus amigos, como diria o diácono Remédios, com sotaque viseense (e é de Viseu que estamos a falar), isso não existe! Ou melhor, se acaso existe, é por más razões e a prudência básica aconselha a que seja proibido.

Ia dormir a Viseu e tinha-me perguntado: “onde é que vou jantar?” Conhecia vários restaurantes na cidade, mas apetecia-me experimentar algo de novo. Lembrei-me então de telefonar ao tal amigo que sabe destas coisas como ninguém e que, sem o saber, é, desde há alguns anos e muitas análises clínicas, um ódio profissional desconhecido do meu médico generalista. 

“Vá ao DeRaiz!”. Nunca tinha ouvido falar. Porque sou um crédulo, um ingénuo, lá fui. 

(Agora posso confessar: necessitava de passar, numa mesa para entreter, a hora e meia do Porto-Sporting da noite de ontem, não fosse dar-se o caso de ser tentado a ver na tv o “prélio” (ainda alguém se lembra desta palavra?). E, ao que parece, ainda bem que não vi!)

Na cidade das 27 rotundas, tendo por companhia sonora a conhecida menina do Wase, lá fui ao DeRaiz. 

(Um destes dias, quando não houver crianças caídas em poços em Marrocos, presumíveis terroristas lusos com saloias botijas de gaz e uma quase guerra quente na distante neve ucraniana, que serve para entreter comentadores internacionais de cabelos brancos a perorarem coisas graves, a nossa grande mídia tem de nos dar a conhecer a cara dessas gentis senhoras que nos sussurram o caminho pelas ruas, e que já bem íntimas são do nosso tímpano.)

Foram então rotundas depois de rotundas, mais saídas para a esquerda do que para direita (coisa rara na zona, mas que gera esperança de que muitas coisas se componham), quelhos e vielas, até que chegámos a um largo. Ao lado, a capela, como o nome da rua indicava, à frente, o que viria a revelar-se quase um  altar. Porque a celebração estava para vir. 

Casa de pedra rija, bem renovada, no meio da aldeia. Entrámos. Ambiente acolhedor, pessoal impecavelmente fardado para a função, profissionalíssimo, regras de higiene corretas (luvas para colocar copos e talheres), dois andares muito bem decorados.

Aquele meu amigo só podia estar a gozar: coisas assim não existem! Em especial, como dizem os britânicos, “in the middle of nowhere”!

A oferta de um bom rosé, à chegada, deixou-me logo de pé atrás. 

Veio a carta, a lista de vinhos, ambas variadas e informativas, e, surpresa das surpresas, todos os preços eram muito honestos. 

Havia ali qualquer coisa que não batia certo, pensei para comigo! Alguma coisa devia estar mal! E, claro, fiquei “na retranca”, porque já levo muitos anos de isto! Pensei: a comida deve ser muito má! 

Passado o bom “couvert”, chegaram um pastel de massa tenra e uns ovos verdes. Magníficos, com o meu ovo a surgir numa imaginativa gaiola. 

Entretanto, o tinto do Dão, escolhido sob recomendação da casa, marchava muito bem.

Começaram a pousar, depois, os pratos, com o serviço a emergir num tempo certo, não obstante a sala estar plena (de gente iludida como nós, pensei), com distância prudente entre as mesas.

Agora é que vão ser elas! Devem vir por aí umas vitualhas menores! Como o bacalhau à Brás esteve muito bom, esperei que pato assado com arroz de forno desiludisse. É o desiludes! 

Devia ser nas sobremesas que tudo se iria estragar, refleti! Era isso! Mas não é que um pão-de-ló da avó estava à altura? Ainda os provoquei ao pedir um “strudel” de ananás, mas, surpresa das surpresas!, estava também bem no ponto.

Furioso comigo mesmo, porque sabia, de ciência certa, que as coisas não podiam correr tão bem como estavam a correr, que devia haver uma explicação secreta para todo aquele inesperado acerto, aguardei pela fatura: devia vir aí uma “conta calada”, com coisas inventadas, eu sei lá! Sorrindo para dentro, com uma deliciada fúria antecipada, esperei. Preparei-me para fazer uma cenaça!

Chegou o papelinho. Li e reli! Não podia ser! Estavam a gozar comigo! Fiquei furioso! Tinha comido lindamente, com um serviço impecável, num ambiente muito agradável, por um preço honestíssimo. Isto fazia-se?!

Como é que me poderia vingar? Só tinha uma maneira: espalhar, ”urbi et orbi”, que, no DeRaiz, ali ao lado de Viseu, se come de forma magnífica. 

Se calhar, é isso!, não querem que se saiba! Pois eu digo e, agora, amanhem-se! É uma afronta servir tão bem e com preços tão honestos. Isto não se faz! A Inês e o Nuno não se podem ficar a rir de nós! É preciso que todos saibam e divulguem! 

É o que eu digo! Este país, assim, não vai lá!

22.1.22

Zambeze (Lisboa)


Fui lá, pela primeira vez, já há muitos anos. E gostei. Volto, de quando em vez, sempre sem me arrepender. Fica a meio caminho entre a rua da Madalena e o castelo, por detrás do CDS, um pouco antes do Chapitô, com o qual partilha uma deslumbrante vista sobre Lisboa. O Zambeze apresenta uma bela e competente lista onde, juntamente com a culinária portuguesa, se podem encontrar algumas notas gastronómicas moçambicanas (tal como acontece no Ibo, no Cais do Sodré), tendo aliás ao seu serviço pessoal da mesma origem, que são de uma extrema gentileza e eficácia (mas, hoje, a cozinha esteve um tanto lenta). Come-se ali muito bem, numa boa relação qualidade/preço. E para estacionar o carro, naquela área? já estou a presumir o leitor a perguntar. É muito fácil. O Zambeze fica no topo de um prédio com um amplo parque de estacionamento, ainda por cima com um conveniente Pingo Doce na base.


15.1.22

Lamassa


É no meio do Estoril, terra com ruas onde sempre me perco. Instalações simples, arejadas, sem luxos. Tem poucos lugares. Ou se vai às 19:00 ou às 21:00. O serviço é atento, profissional, diligente. Tem uma lista de vinhos que surpreende. A conta foi justa. Come-se muito bem no Lamassa, a julgar pela experiência, que há que repetir. Lead: Pelos vistos, há um belo italiano no Estoril.

10.12.21

Belo conselho


Na casa de banho de um restaurante: “Estimado cliente. Utilize esta casa de banho como se tivesse cometido um crime: não deixe vestígios”.

“Outro Tempo Bar”


Não sei quantos lugares sentados tem, mas não são muitos. Por isso, é prudente reservar (ontem, quase que me arrependi de o não ter feito). É um local magnífico para um tête-à-tête, mas a proximidade das mesas não assegura o segredo das confissões. Fica numa rua que ladeia o Jardim da Estrela. A decoração e o mobiliário não têm ”peneiras”, como antes se dizia. Apresenta uma lista simples, prática, com muitas opções, a preço acessível, vista à luz do que por aí agora se paga. Às mesas, servem dois cavalheiros com grande profissionalismo, simpatia e eficiência, portando um colete à maneira, mas num registo sempre despretensioso. Talvez porque pairem por ali reminiscências de outras eras, o local chama-se “Outro Tempo Bar”. A abrir, surge na mesa um clássico da casa: as bolas de croquetes de carne. Com o café, servem um sucedâneo do “After Eight”, a lembrar outra mesa não muito distante, onde também reina a carne, e os pecados (apenas de gula, claro) que dela derivam. Estacionar por ali não é fácil, desde já aviso. Tem um imenso defeito: está fechado ao domingo à noite. E uma bela qualidade: só fecha às duas.

31.10.21

Outono em Vila Pouca


Cabrito, castanhas, javali, cogumelos. O menu, sazonal, andava por estas coisas. Claro que a posta de vitela também estava ali ao lado e até se provou uma alheira, para picar, antes da chegada das coisas mais substanciais. Para dar lastro líquido, escolhi um reserva de Arcossó, terra da minha visavó. Tudo estava mais do que excelente, mas, se me permitem um destaque, a sopa (um “velouté”) de castanhas e míscaros era de comer e chorar por mais. Ainda olhei o bolo de castanha, mas não quis fazer mais uma asneira, embora, como diz um amigo, só se vive uma vez e esta é a última, ao que consta.

Que bem que se continua a comer na casa da família Machado, no restaurante Costa do Sol, no hotel Aguiar da Pena, em Vila Pouca de Aguiar!

17.10.21

Mesas seguras

 


Tenho a mania de experimentar novos restaurantes. Mas há dias em que me sinto mais conservador e decido ir a locais seguros, sem surpresas, onde sei que não vou ter novidades mas tenho uma garantia segura de qualidade.

Foi o caso de ontem e hoje, nas menos de 24 horas que passei no Porto, onde, esta manhã, vim fazer uma “função” numa universidade.

Ontem, chegado a Campanhã, passei pela “Cozinha do Manel”, onde o Zé António tinha guardada para mim uma mesa, numa noite (felizmente) bem cheia de clientes. É a minha “cantina” preferida no Porto, ao lado de um hotel onde habitualmente me alojo, um ambiente solto, amável, de cozinha portuguesa tradicional. 

Hoje, antes de regressar a Lisboa, apanhando o Alfa Pendular em Campanhã, fui almoçar ao Líder, um pouso igualmente muito seguro perto da praça Velasquez, nas Antas, regido pela simpatia do Manuel Moura. Um restaurante de famílias aos fins de semana, de negócios nos dias úteis. 

As boas mesas nunca passam de moda.


13.8.21

Então é assim!

 


Restaurantes onde só se consegue ir com cunhas, restaurantes que não atendem o telefone e só aceitam reservas presenciais, restaurantes onde, para jantar, tem de se ir cerca das sete ou depois das dez e restaurantes que, pura e simplesmente, não fazem reservas - esses, para mim, estão definitivamente "out"!

E há tantos mais restaurantes!

30.7.21

Uma “Lezíria” quase à minha porta



Não nos apetecia jantar em casa, mas igualmente não queríamos ir muito longe. Recorri ao “Fork”, uma “app” muito útil, que efetua reservas sem termos de negociar nada telefonicamente: escolhemos o restaurante, escrevemos o número de pessoas e a hora desejada. Se houver lugar, recebe-se, quase sempre de imediato, um email a confirmar.

O “Fork”, que infelizmente não é adotado por muitos restaurantes, tem também a vantagem de nos indicar, com o número de metros, os restaurantes mais próximos do local onde estamos.

Surgiu-nos então o “Lezíria”, um nome que era acompanhado da sugestiva indicação: “casa de petiscos”. A menos de 10 minutos de casa. Lá fomos, com alguma curiosidade. É na Rua S. João da Mata, 46 (912 790 387), muito perto do Largo de Santos.

É uma sala não muito grande, com uma decoração “arejada” e muito cuidada. Não chegam a 20 pessoas os comensais possíveis. Só uma pessoa serve às mesas: educada, atenta, com sugestões úteis. E o serviço é competente e foi rápido.

O menu eram petiscos, como o nome indicava. Abrimos com uma salada de polvo e gambas salteadas. Depois, fomos para uns ovos mexidos com farinheira e uns peixinhos da horta. Uma mousse de requeijão com doce de abóbora e crocante de noz fechou o percurso culinário. Estava tudo - sem exceção! - excelente! Uma sangria ajudou a que, mesmo com couvert, o preço apontasse para o início da casa dos 30 euros, para duas pessoas. Mas havia uma curta lista de vinhos, a preços muito aceitáveis.

Atenção! A lista estava muito longe de se resumir ao que comemos. Havia por ali outras propostas a que, em ocasião próxima, não deixarei de ser tentado: bacalhau com compota de tomate, mexilhões de cebolada, ovos no forno com cebola e chouriço, cogumelos gratinados e várias coisas mais.

E assim, “sem saber ler nem escrever”, como se dizia na minha terra para aquilo que é fruto do acaso, descobri um pouso de amesendação leve perto de casa. Ganhei a noite!

18.7.21

Nã conhecia!


É ali ao lado da Vidigueira, em Vila de Frades. Lá fora, estava um calor que nem lhes digo! Atravessar o Alentejo, vindo do sul, em direção a Lisboa, sem ser pelo caminho mais curto, num dia como o de hoje, só por um imenso motivo de força maior. E esse motivo era a vontade de ir almoçar, com amigos, a um restaurante com o “estranho” nome de “O País das Uvas”. A “estranheza” atenua-se se alguém (que não eu) lembrar que esse é o titulo de uma obra de Fialho de Almeida, nascido em Vila de Frades. Aqui chegado, devo dizer que, à parte “Os Gatos”, não tenho ideia de ter lido mais nada de Fialho de Almeida, muito menos a obra que deu nome ao restaurante. Passando ao que importa. Comeu-se muito bem: açorda de cação e carne de alguidar, antecedidos de cilarcas e espargos com ovos, e um “pijama” como sobremesa, que é uma “amostra”, em versão gigante, de três belas doçarias. Tudo foi acompanhado com um “vinho da talha”, a especialidade da casa, preparado em talhas mouriscas que podem e devem ser visitadas, na adega anexa. Para quem esteja cheio de pressa de lá ir, esqueça a segunda-feira: estão fechados. E tudo quanto lhes queria dizer. (Ah! Dizem-me que há uma versão lisboeta, chamada ”O Frade”, no início da Calçada da Ajuda, onde parece que se come igualmente bem. Lá irei um dia).

27.6.21

Cimas (Estoril)


Há muitos anos, quando criança, nos intervalos dos jogos de futebol no campo do Calvário, em Vila Real, lembro-me de ouvir, com a voz grave e pausada da locução da época, um anúncio aos então afamados relógios Cyma.

Essa publicidade tinha um lema que, ao que me dizem, ecoava então um pouco por todo o país: “Acima de Cyma, só Cyma!”, para sublinhar a qualidade dita insuperável desses relógios. Depois da frase, o locutor dizia o nome e endereço da casa de relojoaria de Vila Real onde se comerciavam os aparelhos.

Lembrei-me disto ontem, acabado de jantar no Cimas, sobre a estrada que liga os Estoris (uma fórmula antiga de que gosto muito) a Cascais. Este antigo “English Bar“, hoje “Restaurante Cimas”, sob a mão competente de José Manuel Cimas Sobral, continua a ser um marco impressivo da restauração portuguesa.

Agora com um novo espaço num terraço superior, que neste bom tempo substitui a bela sala de madeiras que lhe fez o nome (o restaurante, imaginem!, existe de 1952!), o “Cimas” é sempre um porto seguro de excelente restauração. É barato? Não é. Mas, posso dizê-lo, tem uma relação qualidade-preço muito boa. E todos os restaurantes de qualidade, como é manifestamente o caso deste, merecem ser destacados.

Ecoando a publicidade de outrora, apetece-me dizer, depois da magnífica experiência que tive na noite de ontem, de que deixo uma despretensiosa imagem fotográfica: "Acima de Cimas, só Cimas”!

1.6.21

O “Ribas”, na Ericeira


Tenho a sensação que, de todas as vezes que almocei ou jantei na Ericeira, acabei por assentar num sítio diferente (verdade seja que gosto de “saltitar” entre restaurantes). Na minha vida, não recordo ter comido muito por lá, talvez uma dúzia de ocasiões. Faço uma ressalva para os três meses de tropa em Mafra, em que se ia jantar com frequência à Ericeira, para tentar atenuar o trauma gastronómico do “almoço” no Refeitório dos Frades - mas isso ainda foi num tempo em que alguns militantes mais velhos do Chega talvez ainda andassem pela Ação Nacional Popular.

Sempre que amigos e conhecidos me pediam uma recomendação na Ericeira, fiados no mito de que conheço muitos restaurantes, eu hesitava bastante e, a medo, lá acabava por indicar uma ou outra marisqueira - o que é sempre um comodismo fácil em terra de peixe e marisco. Mas, confesso, embora a terra tenha coisas estimáveis, fazia-o sempre sem grande convicção.

Isso acabou este fim de semana! Graças à dica de um amigo que sabe da poda, tive uma experiência magnífica no “Ribas”, bem no centro, junto à muralha onde, em vários anos, ia de propósito de Lisboa, em romagem, comemorar o 5 de outubro, no meu republicanismo radical. 

O “Ribas” tem uma sala ampla, confortável e com decoração elegante, com todas as condições de segurança sanitária, importante para os tempos que correm. O serviço é discreto, eficiente, educado, por profissionais muito bem “equipados”, dando nota de uma cuidada “ordem unida” (expressão herdada do meu tempo militar por ali).

E, o que é mais importante, come-se lindamente no “Ribas”! Tem excelente peixe (mas não só), numa lista onde havia muitos mariscos (que, contudo, não experimentei), tudo com uma bela apresentação. A lista é muito equilibrada, tem uma seleção de vinhos muito boa. Os preços são o expectável para uma qualidade geral bem acima da média.

Vou voltar, logo que puder, ao “Ribas”. E, finalmente, já vou poder recomendar, sem hesitar, uma mesa na Ericeira.

23.5.21

Mais um vizinho


Hoje, domingo, deu-nos para visitar um outro restaurante da vizinhança, o “Clube dos Jornalistas”, na rua das Trinas, na Madragoa.

No edifício de uma antiga escola primária, tem um interior diferente do expectável, decorado com gosto sóbrio, em madeiras e tons fortes (atenção a um degrau entre duas dependências, onde já uma vez me “esbardalhei”, como se diz na minha terra). 

Ao longo da sua já longa existência, notei que o restaurante teve já várias encarnações mas, vale a pena dizer, sempre com uma qualidade apreciável. Recordo-me de que chegou a andar por mãos bascas (oferecia, então, uns dentes de alho imersos em azeite, deliciosos, porque que lhes atenuava o caráter agreste e se trincavam com gosto), com propostas originais e interessantes. Agora, ao que reparei já há tempos, mudou de rumo gastronómico, mas não se perdeu na inventividade, talvez antes pelo contrário.

Nos anos 90, costumava ter por lá muitos almoços. Em um deles, a dois, Mário Soares revelou-me histórias curiosas, algumas quase proibidas, dos bastidores históricos do PS. Lembro-me também de que ali organizei uma jantarada da nossa “fornada” diplomática de 1975. E até um dia ocupámos o espaço com um casamento de amigos.

O “Clube de Jornalistas” beneficia de um espetacular pátio traseiro com jacarandás, abrigado de ventanias, onde, em dias de sol, se almoça (e, ajudando o clima, se janta) magnificamente.

Tinha passado lá, há meses, numa pausa da pandemia e regressei agora. A lista atual é muito criativa, com pratos bem apresentados, com toques de originalidade culinária, que revelam uma mão segura na cozinha. O serviço é sereno, educado e sabedor, conferindo um bom ambiente ao espaço.

O “Clube dos Jornalistas” é um segredo (talvez demasiado) bem guardado em Lisboa. Pela qualidade da sua oferta, pelo ambiente e por todo o seu conjunto é um lugar que merece ser mais conhecido e frequentado. Ah! E peçam o tinto do Douro “Dois” (indicação do meu amigo Fernando Neves). Vivamente recomendo.