Que chatice!

Ontem fui, num grupo, a um novo restaurante. Algumas das pessoas que iam comigo já lá tinham ido antes e faziam elogios à casa. O espaço, de facto, é muito interessante, muito bem decorado. O menu é original e bem construído e sente-se, na lista de vinhos, um cuidado pouco usual. O pessoal, embora escasso, é agradável e sabia explicar com profissionalismo o que por ali se servia. Preparei-me para jantar bem.

Depois, foi a refeição. Veio tudo a conta-gotas e, mais de uma hora depois de chegarmos, ainda não estava tudo na mesa. No que me tocou, aparte a tábua dos queijos (bem apresentada, mas com três variedades apenas), os peixinhos da horta estavam sensaborões e encharcados da fritura, as pataniscas eram uns matacões grossíssimos (devia sair um “decreto” a explicar, de uma vez por todas, que as pataniscas se querem sempre finas, com a massa a não disfarçar o peixe, e secas do óleo da frigideira), onde a custo se conseguia “pescar” o bacalhau. O arroz de feijão, que vinha a acompanhar, estava demasiado aquoso e com escasso sabor. Quem comeu arroz de couve com costelinhas, disse que estas estavam muito rijas. A tarte de maçã que pedi tinha uma massa de base muito dura, com uma textura inaceitável. Tudo estava, contudo, bem apresentado, diga-se. O preço foi muito razoável, se o não sujeitarmos à grelha de apreciação qualidade/preço.

O problema deste restaurante - que não vou nomear, para não travar o ensejo de uma possível melhoria - é, claramente, a cozinha. E a cozinha só melhora se se mudar quem por lá está. Não há aprendizagens nem práticas que curem essa “doença”, desculpem lá! 

É curioso que, a pouco mais de duzentos metros desta casa, abriu, há mais de um ano, um espaço da mesma natureza, também bem decorado, que padece de uma cozinha com idêntico mal, em pior. Naquele cado, acrescia então um serviço errático e pouco profissional.

Que pena que o saldo destes investimentos não seja o desejável, correspondendo ao esforço de quem colocou ali o seu dinheiro. Mas, contudo, espero que tenham muita sorte. Sem mim, claro!

(Este texto, sem o nome dos restaurantes, não serve para nada - dirão alguns. Não o tomem como uma crítica gastronómica, aceitem isto como um desiludido desabafo).

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