À dúzia é mais barato

Bocados (Ponte de Lima). É um pouco difícil de encontrar (rume para a Madalena, saindo depois da estrada numa bifurcação para a esquerda) este lugar excecional, onde a mão da Palmira e a simpatia do José António ajuda a sentirmo-nos em casa. O menu é o do dia, os pratos vários e sequenciais, a lista de vinhos evoluiu imenso. Os lugares são poucos, a reserva é mais do que obrigatória. Voltarei sempre que puder.

Nanda (Porto). Já por lá não ia há anos. Apeteceu-me que ali estivesse o meu amigo Rui Vieira Nery, porque aquela é a comida “das donas Adozindas”, que ele tão bem retratou num texto de antologia. Uma comida sólida, burguesa, sem arrebiques, numa sala simples, com serviço atencioso e pronto. Que bom que foi regressar à Nanda!

Solar dos Duques (Lisboa) - É uma das minhas “cantinas”, este espaço de Campo de Ourique. Quando, há meses, o vi trespassado para um casal de romenos, confesso que temi o pior, a descaraterização e a banalização. Enganei-me, e ainda bem! O casal, de extrema simpatia e atenção aos clientes, manteve a qualidade da casa, sem falhas, introduzindo mesmo algumas melhorias. Não tenho a menor queixa, das vezes que por lá tenho ido. Que se conserve assim!

Wish (Porto). O espaço era conhecido: o do antigo Oporto, na Foz, onde num ambiente de referências cinematográficas se comia bem, num lugar elegante. Esse mesmo espaço, com outra decoração, serve agora o Wish, que recupera a memória do Xis, um belo restaurante que o mar levou. A dimensão asiática permanece deste último, a lista renovou-se, o serviço é atento, a sala faz lembrar o não muito distante Cafeína. Não é barato, mas a relação qualidade/preço é boa.

Tasca da Linda (Viana do Castelo). A Linda tem vindo a alargar o seu espaço, no restaurante junto à fortaleza e ao cais, agora com uma nova entrada que deu relevo à sala principal. Continua a comer-se bem, com o peixe a presidir, num ambiente agradável, com bom serviço. Não sendo barato, o preço aceita-se pelo conjunto da oferta.

O Mattos (Lisboa). “As árvores morrem de pé”, dizia Maria Mattos numa das suas últimas prestações no Nacional. Este restaurante, ao lado do teatro que leva o seu nome, não só não morre como se mantém excelente. Faz parte de um conjunto de casas sólidas de que Lisboa felizmente ainda dispõe, acolhedoras, com ambiente solto, comida segura, bela garrafeira. Já foi maos barato, mas justifica os preços.

Cozinha da Avó (Covilhã). Há anos que tinha esta visita em agenda! Numa visita de trabalho à Covilhã, convidaram-me para almoçar neste simpático restaurante. Uma lista interessante, espaço amplo, se bem que não deslumbrante, uma lista de vinhos apreciável e uma gastronomia sólida. Ficou-me uma boa impressão. Tenciono voltar, quando puder.

Villas (Vila Real). A geografia não favorece este bom restaurante que nasceu, não há muito tempo, sob a mão de um discípulo de Rui Paula. A sala, sejamos sinceros, é má, pouco confortável, com o mobiliário e a decoração a não ajudarem. Já por ali perdi a cabeça com os atrasos na cozinha, mas as coisas melhoraram e a qualidade da comida, com um toque de imaginação, compensa. Um restaurante a merecer melhor atenção aos vila-realenses.

Pousada do Marão (Amarante). Já lá não ia há anos. Recebeu-nos a simpatia da Elsa, que, há décadas, espalha o seu sorriso pela sala e pelos clientes. Seguimos o seu conselho. Comeu-se apenas razoavelmente bem. Se acaso estiver no IP4, entre Amarante e Vila Real, este uma opção possível. O espaço, contudo, perdeu muito do seu encanto, com o charme antigo hoje diluído numa decoração pindérica. É que o “template” das Pousadas foi-se! É a vida daquela que foi uma das primeiras Pousadas de Portugal.

Pousada de Óbidos (Óbidos). E, por falar em Pousadas, um registo para um jantar, há dias, nesta que foi a primeira pousada histórica (em edifício histórico adaptado) do país. O espaço é lindíssimo, a comida bastante aceitável, o serviço atento e muito simpático, embora, num sábado à noite, ter dois funcionários para duas salas com muitas mesas seja uma receita que só interessa à contabilidade. O preços são altíssimos, dos pratos aos vinhos. A relação qualidade/preço, atento o conjunto, é muito pouco satisfatória.

Viveiros Atlântico (Ribamar-Ericeira). É um lugar com aquele ambiente de marisqueira muito típico da costa próxima de Lisboa. E está tudo dito! A oferta é bastante razoável, embora com altos e baixos na qualidade das espécies servidas. O serviço é muito atento, simpático, embora sem mesuras, o que é bom. Gosto de passar por ali e, com um bom vinho branco em apoio, oferecer-me uma dose generosa de colesterol marinho. Com preço adequado.

Trás da Orelha (Torres Vedras) - Já conheci três endereços a este bom restaurante da zona saloia. Agora, fica depois da segunda rotunda na estrada para Torres, saindo da A8 em Torres Sul. É uma comida de raiz alentejana, mas com muitas outras contribuições regionais à mistura. O espaço é rústico, o serviço eficaz, tornando-se uma excelente opção para almoço a quem vai para o norte ou de jantar a quem dele vem (desde logo, eu, que raramente ando pela A1 e prefiro a placidez da A8+A17). Preço “em conta”.



Comentários

  1. Sendo eu do Grande Porto, envergonho-me de não conhecer a "Nanda'. Quando regressar a Portugal, irei conhecer, seguramente. De todos os enunciados, conheço "Bocados" é realmente excepcional, daqueles lugares que não se esquece, pela simpatia e comida distinta e deliciosa.

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  2. “Que saudades das donas Adozindas, das donas Felisminas, das donas Gertrudes (...), com a sua sabedoria, as suas receitas de família (...), o seu gosto de servir bem, o seu sentido de tradição e de comunidade!”.
    Gosto também da nova imagem deste blog.

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